
***O papel da família na educação dos filhos foi amplamente debatido durante a sessão ordinária desta terça-feira (8), na Câmara Municipal de Campo Grande, pelo Promotor da Vara de Infância e Juventude, Sérgio Harfouche que apresentou aos parlamentares da Casa dados alarmantes sobre gravidez precoce e homicídios que ocorrem entre adolescentes e jovens no país.
A convite do presidente do Legislativo Municipal, vereador Paulo Siufi (PMDB), Sérgio Harfouche fez uma explanação acerca do tema “Riscos urgentes na infância e juventude” para explicar a importância da presença da família no ambiente escolar, principalmente na educação sexual dos adolescentes, que hoje está, segundo o Promotor, por conta, apenas, de educadores. “Os números mostram que nunca tantas adolescentes engravidaram, tanto, abaixo dos 15 anos. 700 mil meninas abaixo de 15 anos estão engravidando no Brasil. Isso gera efeito colateral no oferecimento de serviços de creche. O Brasil é o sexto país do mundo em mortes de adolescentes, Campo Grande é a décima capital do país em homicídios de adolescentes. O país tem uns 100 números de usuários de drogas. A Secretaria Nacional Antidrogas não tem número estimado de adolescentes. O Brasil não sabe quantos adolescentes são consumidores de drogas. Precisamos lembrar que quem usa crack não chega nas universidades. Precisamos lembrar que quem usa crack não fica mais em casa. Precisamos resgatar a autoridade. O que nos preocupa é que insistimos em políticas equivocadas. Nós precisamos resgatar as autoridades dos pais sob os filhos nos lares, a autoridade dos professores nas escolas”, disse Sérgio Harfouche.
Como forma de chamar atenção para o problema da sexualidade precoce, o Promotor da Vara de Infância e Juventude lembrou da proposta que veda a instalação de máquinas dispensadoras de preservativos nas escolas do ensino básico e fundamental da rede pública e particular do município de Campo Grande, já reformulada, que deve ser reapresentada, nos próximos na Câmara Municipal. Segundo Harfouche, os pais são unânimes em defender a medida. “Registramos em ata e dizemos que aqui nessa escola os pais decidiram pela não distribuição de camisinhas. Agora os pais que aceitam, que são uns dois ou três que sejam distribuídas para eles. Se nós fizermos, por exemplo, a pergunta sobre distribuição de camisinhas na parada gay teremos 100% de aprovação. E entre adolescentes teríamos um número expressivo também. Então fica a pergunta: qual de nós quer pagar conta vai? Temos de ouvir os pais porque quem vai na delegacia, no IML [ Instituto Médico Legal] é pai e mãe, então se quer distribuir camisinhas chamem os pais e não os filhos diretamente”, acrescentou o Promotor.
Para Paulo Siufi a família está sendo deixada de lado. "As pessoas se envolvem em coisas matérias deixando de lado aquilo que são nossos maiores tesouros: nossos filhos, nossas crianças. A escola foi criada para ensinar, orientar, posto de saúde para atender, fazer a outra ponta do conhecimento, mas da área de saúde. É lá que devem ser distribuídas as camisinhas. Do contrário teremos uma cidade sem princípios. Vamos votar o projeto, tenho a nítida convicção de que não estou aqui por acaso, mas para defender os bons princípios. As escolas estão para educar, orientar, não podemos tirar a família desse princípio que lhe é constitucional. Podemos ter um aumento das DSTs porque a camisinha vai servir de instrumento. Eu não vou me curvar àqueles que querem promover a banalização do sexo que deve ser praticado por pessoas maduras no momento certo e na hora certa”, explicou Paulo Siufi.
